Corrupção e a Cultura da Cruz

Vishal Mangalwadi

Na década de 1990, eu pregava o conteúdo deste apêndice em um culto na Romênia. Fiquei espantado com o número de pessoas que fizeram fila para me agradecer. Um homem fez um gesto em direção a gravidez de sua esposa e disse: “Nosso bebê chegará em um mês. Nenhum médico romeno irá entregar nosso filho sem um suborno robusto. Depois de ouvir você, eu acho que eu deveria dar meu dinheiro não a um ladrão de avental branco, mas para alguém que possa morrer sem assistência médica. Nós deveríamos planejar uma entrega a domicílio”. Outra ocasião, eu estava falando em uma reunião de jovens, e um ancião da igreja trouxe-me um pedido formal do conselho dos anciãos: “Por favor, não fale sobre corrupção. Esse tema é polêmico demais aqui. Apenas pregue o evangelho.”

C.S. Lewis estava certo quando disse que o Ocidente pós cristão era uma sociedade livre da corrupção. É uma bênção incrível, fruto do evangelho. Mas esse fruto não vai durar muito tempo, se as raízes forem retiradas. A Igreja ocidental já perdeu a batalha contra a corrupção sexual e está completamente despreparada para a batalha contra a corrupção econômica. Os evangélicos romenos não viam a relação entre o evangelho e estar livre do suborno, porque os evangélicos norte-americanos que os discipularam pensavam que o evangelho era ir ao céu, e nada tinha a ver com o Reino de Deus na terra. Eles não sabiam que foi o evangelho que transformou a América. O evangelismo americano tem pouco a dizer sobre a corrupção porque, de algumas gerações para cá, a corrupção não tem sido um problema comum para a maioria dos americanos. No entanto, é uma questão importante em todo o mundo e cada vez mais uma preocupação no Ocidente porque: a) o Ocidente é como um computador do qual o antivírus, o evangelho, foi desinstalado, e b) o Ocidente não está apenas conectado, mas cada vez mais dependente de um mundo que recompensa a corrupção. A corrupção é uma doença altamente infecciosa e debilitante. Espero que meus leitores ocidentais sejam tolerantes com minhas ilustrações a partir da minha própria cultura (indiana).

A corrupção tem cura

O evangelho curou a corrupção sem um governo ditatorial, sem um sistema islâmico ou marxista de justiça instantânea e brutal. O domínio britânico na Índia começou em Bengala em 1757 com Robert Clive e os membros de seu Conselho recebendo enormes subornos das marionetes que ele estabeleceu como Nawab (vice-governadores das Províncias). Os funcionários da Empresa British East India tinham chegado à Índia para ganhar dinheiro. Seus líderes ‘recebedores de subornos’ incentivaram os funcionários da empresa a transformar seu governo em “um bando de ladrões públicos” (Lord Macaulay). Mais tarde, quando o Parlamento britânico pressionou Clive e esse tentou refrear a corrupção, duzentos oficiais britânicos se juntaram para eliminá-lo. Ele foi salvo pela fidelidade de seus soldados indianos. Uma vez que a mão de ferro de Clive foi removida, o governo britânico na Índia se degenerou no que Macaulay chamou de “o governo de um gênio perverso”. A corrupção britânica destruiu a economia de Bengala e se tornou um fator da morte de vários milhões de pessoas na fome de 1769-70. Surpreendentemente, a cruz de Jesus Cristo fez o que um general do exército não podia fazer: seguindo o reavivamento wesleyano na Inglaterra, os evangélicos britânicos transformaram seu governo na Índia. Em 1947, a Índia e o Paquistão independentes receberam uma limpa, embora não perfeita, administração. O que o evangelho fez pela Inglaterra e pela Índia uma vez, ele pode fazer novamente. A questão é: por que a maioria dos cristãos em culturas não protestantes participa da corrupção sem qualquer sentimento de culpa? Quando a noiva de Cristo se compromete com as trevas e começa a viver como amante de Satanás, isso produz morte. O convite para se posicionar contra a corrupção é simplesmente um apelo à igreja, para que ela seja a noiva de Cristo, para trazer o fruto do Espírito e dar à luz uma qualidade de santidade que está além da capacidade humana natural.

(Tirado do livro Verdade e Transformação, Publicações Transforma)